BRAVA GENTE BRASILEIRA… – PARTE 7

-Há sete semanas estamos contando as histórias de tantos brasileiros, tanta gente nossa, que não pode ficar em casa ou deixar de trabalhar porque precisa, de alguma forma, cuidar do outro. A história de hoje, porém, é de fazer nossos corações se encherem de orgulho no peito e a emoção falar mais alto. E dessa vez em dobro!

Cadu e Fátima

Há sete semanas estamos contando as histórias de tantos brasileiros, tanta gente nossa, que não pode ficar em casa ou deixar de trabalhar porque precisa, de alguma forma, cuidar do outro. Histórias que já nos emocionaram e nos fizeram pensar na luta de cada um à frente de tudo isso que estamos vivendo, com a pandemia do COVID-19.
A história de hoje, porém, é de fazer nossos corações se encherem de orgulho no peito e a emoção falar mais alto. E dessa vez em dobro!

Cadu e Fátima: nosso muito obrigado por compartilharem essa história conosco!

BRAVA GENTE BRASILEIRA… – PARTE 7

Cadu Vicente é enfermeiro. Fátima Rubem de Macedo é fisioterapeuta. Ambos estão trabalhando diretamente com as pessoas contaminadas pelo novo coronavírus. Moram e trabalham aqui pertinho de nós, em nossa região. Ele, porém, foi auxiliar as equipes médicas em Manaus. Ela se dedica aos pacientes de UTI, como fisioterapeuta respiratória. Ambos têm em comum a paixão pela profissão. Eles são casados e pais da Julia, 13 anos e do Miguel, de 10. Todos os dias esse casal deixa seu lar para cuidar de outras pessoas. Pessoas que já estão doentes e que precisam desses profissionais para ser tratadas e continuarem vivendo.

Vamos conhecer um pouco desses seres humanos com tanta abnegação e amor ao próximo!

Desenho feito pela Júlia de 13 anos, filha do casal!

CADU:

“A situação é preocupante e tensa. A maior insegurança é não saber onde o vírus está. Temos medo mesmo utilizando os EPI’s adequadamente. Além de adquirir experiência numa situação de colapso, no momento que o mundo vive, a oportunidade única de poder colaborar com o SUS, com os menos favorecidos, a disposição é ajudar brasileiros de vários “Brasil’s” diferentes.

O medo é inevitável. A insegurança, a angústia, o desespero. Tudo se resume num turbilhão de emoções. Afinal, vemos as pessoas definhando e, muitas vezes, estamos limitados nas ações de assistência à saúde.
A literatura é totalmente diferente da realidade! Horas contínuas de paramentação. Privado de beber água, alimentação e utilização de banheiro.

O risco de contaminação é altíssimo. O medo do sofrimento, causado pela insuficiência respiratória, é imensurável. Porém, as pessoas que necessitam de assistência não podem, não devem, não merecem ser desamparadas no momento em que mais precisam. Você dificilmente encontrará algum profissional de saúde que se abstém em prestar assistência ao usuário.

Mesmo com medo, ansiedade, estamos lá. Deixamos amigos e familiares para cuidar de alguém que nunca vimos.”- Cadu Vicente, 40 anos, esposo, filho, pai, irmão e enfermeiro!

Mais um desenho lindo feito pela filha do casal, de 13 anos, Julia.

FÁTIMA:

”Sinto que estou cumprindo o meu compromisso, pois amo meu trabalho e é o nosso juramento!
E honro o nosso juramento!

Tenho muito orgulho do meu marido e sei o quanto ele ama o que faz. Me sinto honrada de poder estar na linha de frente e saber que juntos podemos ajudar. Tenho um pouco de medo e preocupação com ele, mas sei que Deus cuidará de tudo.

O sentimento é estranho. Difícil expressar. Sinto orgulho por minha profissão ser reconhecida. Hoje as pessoas sabem o que um fisioterapeuta respiratório faz. Isso é motivo de orgulho! Também há o medo: tudo é muito novo, gera ansiedade. Temos que cuidar do paciente sem saber tudo o que pode acontecer. Nunca estudei tanto. Tenho que aprender para melhorar!

Há o medo da contaminação pelo vírus. Se algo acontecer comigo, como ficarão meus filhos? Como ficará minha mãe idosa, viúva e deficiente auditiva? Quem cuidará dos meus entes queridos? E ainda há o medo de levar o vírus até eles e ser responsável por sua contaminação. Ver um paciente evoluir, porém, e ter alta é um orgulho imenso!

Houve um dia muito difícil no trabalho: vários colegas testaram positivo para o COVID. Uma delas foi entubada. O sentimento é de luto, não só meu, mas de toda uma classe. Fiquei muito abalada. Meu marido longe…
Costumo dizer que quando a vítima do COVID tem um rosto e um sobrenome, dói mais!

Meus filhos nos mostram que têm orgulho, mas ao mesmo tempo questionam se temos que sair, nos arriscar. Principalmente quando vemos aglomerações, em geral perguntam o motivo de nos arriscarmos para cuidar de pessoas que não cuidam delas mesmas. Minha filha de 13 anos perguntou-me esses dias: você cuida deles e quem cuida de você? Quem vai cuidar de nós?

Penso em meu marido. Como ele ficará se for contaminado tão longe? Como vai voltar?
Para tudo isso, o acompanhamento psicológico é muito importante. Assim como se apegar a Deus. As orações das pessoas. As mensagens positivas. Tudo isso encoraja.
O sentimento, então, é a mistura de felicidade, orgulho e medo! Mas não me vejo fazendo outra coisa que não seja cuidar do outro. Amo minha missão! Se acontecer algo ruim, grave, comigo, podem ter certeza que eu estarei tranquila, pois estou fazendo aquilo que amo!” – Fátima Rubem de Macedo, 43 anos, filha, esposa, mãe e fisioterapeuta!

Cadu, Fátima, com vocês nossa admiração, força e fé no ser humano. Julia e Miguel têm todos os motivos para se sentirem os filhos mais orgulhosos do mundo.

A todos os profissionais da saúde, que com tanta força e amor ao próximo têm deixado de lado suas próprias vidas para cuidar das nossas, nossa eterna gratidão!